quarta-feira, 7 de setembro de 2016

#02

Muitos anos se passaram, a nossa racionalidade parecia aumentar, e a literatura evidenciara períodos evolutivos significativos. Provavelmente os historiadores otimistas acreditavam que sairiam diamantes desse carvão pensante, e agora? E agora queimamos como um combustível no motor, denominados por uma elite dominante apenas como "mão de obra", para obter coisas inúteis, e seguir caminhos traçados por alguém que imaginou um modelo certo a viver. Uma forma de felicidade que só pode ser alcançada se por um longo tempo você for infeliz se sacrificando como escravo de alguém, tentando um dia ser o senhor de engenho ou um capanga que veste a camisa da empresa, lutando por uma missão criada para alienar mais e mais pessoas em troca de capital. Para morrer em vida, atentando contra os outros e a si mesmo. Não precisa ler Hamlet para descobrir que nessa solidão moderna, os loucos é que são normais. O que temos atualmente como normal é uma loucura coletiva. Esperamos que família, amigos, chefes ou o governo, inventem algo que nos impeça de fazer as coisas, para colocar a culpa em alguém, evitando falhar. Seguindo o que esperam de nós, a sanidade, o equilíbrio... A vida, meu velho, é um jogo que você já entra perdendo e vencer é nossa ilusão para justificar a passagem por aqui, para os outros, para Deus e nós mesmos. Tentando um lugar num céu, que nem sabemos se existe. Não dá para dizer que venceu na vida e fechar os olhos para tudo que está passando lá fora, nas Favelas, no Senado, na Síria... o Brasil quer ter status de primeiro mundo, mas nem o primeiro mundo resolveu todos problemas de terceiro mundo. Educação, moradia e saúde, tudo ainda é muito caro, e faz o trabalhador dar sua vida inteira para oferecer isso aos filhos e quem sabe a si mesmo se for possível. Não é só no Brasil, não é só nos EUA, tá todo mundo no mesmo barco, e alguns ainda tem a audácia de criar um camarote, que é pra dividir mesmo, os falidos, os pobres, e os miseráveis. Subcategorias de uma mesma raça, escravizada pelo próprio sistema ideológico, e presa em um loop infinito de exploração.

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